terça-feira, 29 de abril de 2014

Resenha Perfume Tabu de Dana



Caso em que preço não afeta qualidade.Há no perfume Tabu de Dana clara imponência e langor.Mesmo com a reformulação deixando sua civeta agora sintética, perdendo um tanto da força, não deixa de ser um perfume de imodestas pretensões, ainda com sillage fantástica, carregado de tenaz erotismo e mistério.É filhos dos “les annés folles” e acho que, entre seus múltiplos retratos, perpassando décadas de sucesso, citaria mulheres como Josephine Baker, Lupe Velez e por fim Ava Gardner. Definia-se como “proibitivo”. Convidativa forma de torná-lo ainda mais atrativo num mundo que ensaiava uma contraposição aos ideias pudicos. Jean Carles, o criador, impõe uma sensualidade animálica, terrena. Há nele influências árabes, incensos, dolências sensuais dos belos olhos mouros das hispânicas.Tais ares fesceninos seriam novas virtudes. Daí o nome, Tabu. À época criações assim, deliciosamente vexatórias, extravasando de forma exótica certas luxúrias , caiam nas ruas mais corriqueiras, nas caminhadas mais diárias.O calor balsâmico, resinoso que se perpetua em toda sua evolução,a explosão inicial de flor de laranjeira, jasmim, limão e rosa, o fundo musgoso e animalesco de segunda pele e por fim a baunilha de ternura , agora trazidos sem dó ao cotidiano.

É uma obra quase mística, de incríveis repercussões. Um ato contra o pejo, de rara formosura. Começa tão incandescente, ardido como sua cor fulva, ambarada, quase vaporoso, animálico como um hálito, para depois se quebrantar em acordes tão abaunilhados e melífluos.
É enfim, o perfume de femme fatale, sem mesuras. Capitoso e filho de seu tempo. Não consigo aspirá-lo sem amar sua aura dramática. E é difícil usá-lo, juro, e não ser indagada. Há algo nele irresistivelmente curioso.
Muitos são seus filhos: Desde Obsession a Youth Dew. Outros exemplos são Intimate de Revlon, Passion de Elizabeth Taylor, Bal a Versailles e Monsieur Carven.
Espero que ele encontre no novo mundo almas que sobejem vontade de compreende-lo. Um mundo, enfim, em que possa ser novamente compreendido.

Abaixo dois grandes momentos de olhar sobre este perfume Tabu de Dana, das mãos e coração de Diana Alcântara em
http://aloucadosperfumes.wordpress.com/2013/03/23/tabu-dana-esse-polemico/
e elisabeth casagrande em
http://perfumesbighouse.blogspot.com.br/2009/09/tabu-by-dana.html

7 comentários:

  1. Ótima resenha sobre este clássico Cris! Um perfume que muitos desdenham e que tem um passado glorioso. Beijocas de Elisabeth

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    1. querida elisabeth! obrigada! muito feliz da gente olhar com afeto para essa pequena maravilha cor de cognac.
      :)

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  2. Como disse e Bath, Tabu é glória! Marco na história da perfumaria, ícone! Cris, bela resenha!

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    1. obrigada meu bem! vc sempre um doce! mil vivas para o tabu!

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  3. Putz, hipnotizei com o texto e cresci alguns patamares na minha gramática. Sempre fui péssima em português, regras por regras não captam o meu interesse. Preciso de explicações, te teorias, de algo que de sentido.
    Por fim, a algum tempo vi um exemplar Tabu dando sopa no mercado. Feito uma meliante, dei aquela olhada para ver se ninguém via, abri a caixa e aspirei.
    Achei divinoso viu! Só não levei porque sabia que não iria usar, animálico demais para carregar na pele, mas ainda assim, um belo perfume. Mata a pauladas muitos lançamentos paetizados de hoje. Perfume da época em que realmente se fazia perfumes, não essas águas batatentas.
    Bjsss Cris!

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    1. kkkk...meliante foi joia! rs...o tabu é bom pra ter na coleção.´é uma joia. e inspirou muitos. serve como guia, como pai.
      e sobre o portigues, esse perfuminho q me comove tanto q me empolguei pra falar difícer...rs...como ele nao é nada popular ultimamente, fiz uma resenha de paixão
      deu nisso
      beijoca linda

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  4. eu amei a descrição deste perfume

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