segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O cheiro do paraíso: Resenha do perfume Je Reviens de Worth. Mesa redonda do mês de novembro!







Certa feita  li que o perfume Je Reviens de Worth tinha um cheiro de céu, um cheiro celeste.De alguma forma associo também esse perfume ao Paraíso.

O perfume Je Reviens é  uma  criação de Maurice Blanchet de 1932  para a casa de moda do inglês Charles Fredrick Worth que vestiu famosas damas do teatro e cinema como Sarah Bernhardt.

 Com sua popularização no pós- guerra , Je Reviens se tornou bastante conhecido no Brasil, embora já não se ache mais ele por ai. Já tive a experiência de ver pessoas chorarem quando o sentiram novamente. Era o perfume da juventude de muitos. O cheiro de mãe, de vó, de tias, de madrinhas, de vizinhas gentis que traziam bolos. É o encontro com os céus e o paraíso para muita gente. É o braço dado com a saudade e toda força que ela pode representar. Seja de amor ou dor, expurgação ou salvação, como um paraíso. Poucos perfumes vi trazerem tantas emoções para as pessoas como Je Reviens.

Por ser um perfume de muitas histórias, portanto assaz evocativo, é difícil dissociá-lo de experiência pessoais.

É evocativo até no nome “Eu volto” . E como volta! Volta num azul cortante.  




Para as moças dos anos 40 da época da Guerra, os soldados faziam a promessa da volta e  do paraíso perdido dando para suas esposas e namoradas uma garrafa de “ Je reviens”. Eram ternas as lembranças e dar um Je reviens para as penélopes parisienses da espera ficou na história da perfumaria mundial.
A popularização foi tanta que de perfume caro, de luxo, Je reviens se tornou mais acessível, alem de um enorme sucesso pois se tornou uma declaração de amor e um sopro de esperança de paz e de volta com seu sugestivo nome, imitando o sucesso que o perfume N’aimez que moi de Caron fez na primeira guerra.
Je reviens, como disse, é um dos perfumes mais sentimentais que tive notícia. .
Para mim , porém,Je reviens é o cheiro de sábados na minha terra natal. Dia de lavar roupas brancas, de se por anil, de se deixar sonhar com os cheiros evolando dos lençóis branquinhos quarando no quintal naquele céu azul imenso, puro, límpido que eu tanto olhava .Dia de ouvir minha mãe entoando cantos enquanto lavava roupa. Tardes fagueiras, começo de noite.Percebi que havia uma marca de anil que tinha o cheiro de Je Reviens que fatalmente me fez lembrar desses momentos. Este é Je Reviens para mim. Ficou com cheiro do céu azul que iluminava as roupas brancas que recendiam a ele. A cor azul do seu frasco, de sua caixa me dá mais essa ideia ainda. E descobri com isso que a fragrância de Je reviens inspirou saponáceos no mundo todo.
Mas há o Je Reviens para muitos. Há pouco tive a felicidade de achar dois frascos. Um  dele vintage que consegui com a querida Diana do Aloucadosperfumes (e vale a pena conhecer esse blog gente! Indico também aqui no fim do post pois ela também escreve sobre o cheiro do paraíso). Gratidão imensa!
Mas, sobretudo, Je reviens é um perfume azul. Azul de anil, azul de céu. E esse cheiro azul é  na verdade uma maviosa mistura de lilás, violetas, gerânios frescos, Iris empoada e jacintos(e suas amáveis coreis entre o azul, rosa e demais tons liláceos, o que faz ele ter alguma proximidade com Aprés L’ondée em certos momentos),rosas puras, narciso adamascado, citrinos muito ligeiros,jasmim tranquilo e aldeídos e aldeídos assaz vítreos e limpos(aldeídos a La First, Van Cleef and Arpels, o que faz dele um floral aldeídico por excelência.). Há um apoio de cravos doces e musgo de carvalho tão equilibrados e gentis que fico encantada como notas tão fortes aqui estejam tão carregadas de sutileza. Por isso cai tão bem associa-lo a cheiros de roupa  asseada. Um cheiro de céu , bênçãos e lavor. Um agradabilíssimo e elegante cheiro saponáceo sim. Mas ao mesmo tempo há algo de paz luminosa fresca e generosa que emerge dele assim como também uma profundidade misteriosa que o torna para mim complexo e inclassificável, no fim .Mas é perfeitamente possível ver moças  elegantes e jovens bem penteados usando –o num tempo antigo, num mundo melhor e passadista.
Sobre a cor azul que tanto nos comove que nos faz reviver memórias tão  estimadas , ela é em verdade inspirada na predominância da cor azul turquesa nas criações do estilista Worth, assim como também o querubim dourado  que está sempre na caixa faz parte do patrimônio da marca.
Só sei que tudo nele é de uma melancolia e pacificação tão invulgares e ao mesmo tempo tão estranhos que podem caber também num simples bloco de anil que branquejou as suas roupas ou na saudade doída das meninas por suas mães ou das moças pelos seus maridos que se foram nas guerras.
Cita-se muito sua semelhança com Blue Grass de Elizabeth Arden que ainda não conheci, infelizmente.
No fim para mim Je reviens é o cheiro do meu paraíso perdido,
É um dos cheiros mais signitificativos e gratificantes da minha vida E sinto um amor imenso por ele. E morro de medo de perder meu exemplar grande dele novamente(e querendo muito ter outro pra chamar de meu) e meu pequenino vintage de 20 ml é o meu talismã.

Beth Casagrande fala dele também aqui  e a querida Diana também aqui


Vocês podem encontrar mais excelentes "cheios do paraíso" aqui nos queridos blogs sobre perfumaria do nosso Brasil:


E de brinde, uma bela canção, pois "Je reviens"

Nos Encontraremos Novamente

Nos encontraremos novamente
Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado
Continue sorrindo até o fim,
Assim como você sempre faz
Até que o céu azul afaste as nuvens escuras para longe

Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço
Diga que eu não demorarei
Eles ficarão felizes em saber
Que quando* você me viu partir
Eu estava cantando essa canção

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado

[Nos encontraremos novamente,
Não sei onde
Não sei quando.
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado.
Continue sorrindo até o fim
Assim como você sempre faz,
Até que o céu azul
Afaste as nuvens escuras para longe
Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço.
Diga que eu não demorarei.
Eles ficarão felizes em saber
Que quando* você me viu partir,
Eu estava cantando esta canção.

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado]

Fotos fontes: google



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Comprinhas de perfumes

Mostrando perfuminhos recém comprados além de boníssimos presentes! Estimo que gostem dessas comprinhas de perfume! Obrigada e atenciosamente


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Resenha Perfume Versace Versense

 O perfume de hoje é uma agradabilíssima criação de Alberto Morillas (e uma de minhas diletas em dias de calor) que é o perfume Versace Versense.
Alberto Morillas tem sido hábil em criar os perfumes frescos do meu coração, lindos e distintos, como é o perfume Omina Green Jade que já resenhei aqui. Dos meus preferidos para o verão! Uma elegância fresca e única.
A criação de Versace Versense é de 2009, mesmo ano da criação do perfume Omnia Green Jade.
Versace, com sua medusa que representa o amor às artes, jungindo culturas grega e italiana, pretendeu com esse perfume nos trazer um iridescente mediterrâneo.
Ao aspirar esse perfume, assim o senti: tão rico, tão multifacetado, tão revigorante. Tem o cheiro do bom agoiro, da lisonja, da fartura. Lembra-nos o bom ar das encostas, os bons ventos montanheses,o sol primaveril e seu poder de cura das encostas escarpadas do Mediterrâneo.
Traz-nos a sensação de passeios com roupas brancas,chapéis protegendo do sol, num campo de flores igualmente brancas, que abundam na terra fértil que é banhada por águas incrivelmente claras, de múltiplos azuis e verdes, aquecidas pelo ar quente que brota do deserto saárico.
O frasco é um ornamento que matiza nossos sentidos, dum claro verdejante e tampo prateado que nos lembra espumas do mar.
E o cheiro que sentimos é sobremodo de saúde e de fome da salutar culinária da região contemplada pelo mediterrâneo.

A abertura é um alegre pomar toscano, com seus citrinos a mão, dourando sob o sol.Mimosas tangerinas, doces limas da pérsia. Essa amável conjuntura cítrica nos envolve e conforta. Logo são acompanhados por um figo em compota, delicioso e suculento,que chega junto de lírios absolutamente frescos.
Sua desenvoltura de repente nos traz um leve amargo do cardamomo, que por vezes nos dão uma impressão de cascos, de bagas e sementes de uvas.
E sua finalização é absolutamente tocante, com o sândalo que aqui se faz cremoso e levemente terroso, cravejado de uma sensação bastante arbórea vinda dos cedros que evocam ainda mais o frescor.
E a oliveira da um toque incrivelmente azeitado, como se tomássemos por fim sumos tônicos de limão e figos pingados de oliva e cardamomo.
É tão incrivelmente elegante, fresco e lisonjeiro que só posso torna-lo ornamental,paisagístico,contemplativo, digno de bebidas ricas abaixo de um sombreiro, dentro de um jardim mediterrâneo, convivendo com bom ares que serpenteiam como medusa, nos revitalizando.
A duração é excelente, como a longeva população mediterrânea, e sua propagação é irradiante como a alegria que emana desses povos.

Ao sentir esse perfume, vem-me a frase: alla tua salute!
Você pode encontrar uma outra resenha desse perfume aqui no blog da querida e competente amiga Diana no A louca dos perfumes!

Fotos: fonte fragrantica,

domingo, 25 de outubro de 2015

Resenha Kelly Calèche de Hermès

Kelly Calèche, obra de Jean Claude Ellena é um perfume de homenagens dignamente cumpridas. Existe nas versões edp e edt, tendo chegado em minhas mãos tão-só a versão edt(e como quero agora a versão edp! )
De antemão percebemos  em suas intenções que se trata de um “labour of Love”, mas aspira-lo é ter uma prova  disso. Essa rosa encourada, tão leve e tão elegante, que leva o nome da famosa bolsa Kelly  de Hermés eternizada  por Grace Kelly assim como também o nome do clássico chique Calèche, carro chefe da marca, é de fato uma criação que me parece ter sido feita de forma muito amorosa, longe da austeridade elegante e magistral de Calèche. Porém é mesmo assim perfume de distinção com proposta imagética, sensorial e intelectualizada, bem ao gosto das criações de Ellena .
Um perfume pode ser tanto contemplativo quanto portável,e acho que é  isso que se  vem aqui buscar.

 Kelly Calèche não se trata de um perfume exatamente romântico.  De certo há algo permeado de anjos . É um “couro angelical”, pois. Mas o  couro  é  naturalista demais para se tratar apenas de romantismo, e isso torna o perfume carnal a contento. Uma rosa encarnada. O couro dá esse aspecto quase luxurioso(como também luxuoso). Porém há  esse aspecto floral magnânimo,  como  o sopro de um balanço de asas de delicadeza angelical:   Um couro de bolsa Kelly, com um monte de rosas frescas a La In Love again  e Rose Ikebana e um volátil pó de Iris e muita mimosa  se oferecendo. Uma visão(ou aspiração) celestial? É de imaginar Grace Kelly portando sua bolsa Kelly Hermès e  o usando? Por certo é possível imaginar que ela o pudesse desfrutar de um perfume com pretensões tão etéreas.
O resultado é um couro para “moças de fino trato”.  Um couro que seria então macio como uma pele de pêssego, cheio de mansuetude.Um couro sutil e naturalista para ingressar nessa nota que pode sim e muito se encorpar.


No fim temos uma despedida levemente enfumarada do vetiver. Rosas, pó  e couro enfumarado no fim  dando um ar de camurça.É perceptível que se trata de um perfume que trabalha bem mais com as notas de coração do que as de fundo(o que também faz muito o estilo de Ellena). Acredito que por isso, e como nada pode ser perfeito, achei que a duração deixou a desejar, mesmo para um eau de toilette. Espero poder encontrar no edp uma melhor duração com o mesmo espírito de couro asado e perfumado.
Como bônus de curiosidade,  Jean Claude Ellena disse ter se inspirado na criação de Kelly Calèche(assim como na criação de Cuir D’ange) no livro  Jean Le Bleu, de Jean Giono, uma obra autobiográfica de Jean Giono que  conta anedoticamente sua vida enquanto amava os cheiros provençais, que por sua vez inspirou o filme “La femme Du Boulanger”, de Marcel Pagnol. Enfim, mais uma vez entendo esse caráter laborioso amoroso do perfume, de inspirações  íntimas  e culturais que acabam por confabular com o público. É com lisonja que recebo esse perfume asado e encourado. Nas borrifadas vivem muitas situações e memórias.
Faz-me querer conhecer com voracidade o perfume Cuir D’Ange, perfume vencedor do Fifi award  de 2015 de melhor perfume exclusivo, assim como também Kelly Calèche edt foi premiado no Fifi award de 2008.
De Jean Le Bleu “Je ne peux passer devant une échoppe de cordonnier sans croire que mon père est encore vivant, quelque part dans l’au-delà du monde, assis devant une table de fumée, avec son tablier bleu, son tranchet, ses ligneuls, ses alènes, en train de  faire des souliers en cuir d’ange, pour quelque dieu à mille pieds.”


Minha resenha em video:

Imagem: Fonte: Fragrantica

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tag indique um perfume


Perfumes citados:
Lovely Sarah Jessica Parker
Chanel n.5 edp
Paris elysees miss elysees(lembra o chanel 5)
Allure Chanel edp
Perfumes  da Mahogany: Mel das flores,  Make me fever gold(que parece o Chloé)
CK One, Ck Be e Light Blue Dolce & Gabbana
Rumba Passion Ted Lapidus
True Love Elizabeth Arden
Cafe de Cafe parfuns
Opium YSL
Cecita Boticário
Narcisse Chloé
Truth Or Dare Madonna
Fracas Robert Piguet





Perguntas da TAG:
1. Qual perfume que foi descontinuado / Edição Limitada que você acha que deveria voltar a ser fabricado?
2. Qual perfume ‘’batidão’’, aquele manjado que todos já conhecem, porém você o ama e usa e não está nem aí para exclusividade?
3. Fale de um perfume pouco conhecido que você curte bastante e que os outros deveriam conhecer.
4. Você tem/teve algum perfume que comprou por indicação, porém não curtiu muito?
5. Qual perfume você não curtiu muito de cara mas depois de dar uma chance ficou apaixonado?
6. Um perfume fácil de agradar.
7. Um perfume que você acha difícil de agradar, mas que você curte muito.
8. Qual perfume nacional é o seu favorito?
9. Se você fosse uma celebridade ou um designer fashion, qual perfume que já foi lançado no mercado que você gostaria de ter lançado levando o seu nome como uma invenção sua?
10. Indique um perfume que você acha que vale a pena ter na coleção.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um perfume metamorfose ambulante: Resenha do perfume Satine de Lalique.

Resenha perfume Satine de Lalique

Resenha em video:

A rotina como uma saia plissada, rodopiando   A vida como um baile numa contradança do mesmo personagem, a dispor de novos ventos.
Pensando em perfume que se assemelhe a essa rotina que se metamorfoseia sem que  se abandone o ensimesmamento, proposta da mesa rodada do mês de maio,  pensei na proposta de um perfume que  conheci recentemente e que muito me agradou por ser sombreado, ondulado e quase performático em suas muitas notas ondulatórias que se assemelham a sobreposições.
Falo do perfume Satine, de Lalique. O  frasco é  hipnótico, de poder realmente encantador vindo da ideia original do mago vidraceiro René Lalique,  Entenda-se: O frasco é inspirado na criação La Perle Noire de René Lalique em 1924, para a Forvil, conforme podemos observar na foto

 O frasco do perfume da Lalique Satine, que em francês evoca sedas e cetins,  foi criado por r Aesthete Thierry (agência Baschmakoff). O tampo cor de prata é cravejado pela andorinha  emblemática da marca.Tal frasco se insere na ideia da saia de seda drapeada que simboliza o dia a dia feminino da mulher que amaria a fragrância Satine:  Uma rotina que pede vários cheiros em um, sem perder a delicadeza, a harmonia e a feminilidade.
Pensando nisso a perfumista Nathalie Lorson  em 2013 criou o perfume Satine de Lalique que passa por várias evoluções que mais parecem camadas e camadas que trazem  certa modernidade. A cada momento é possível sentir com vigor as notas harmonicamente contrastantes de Satine, descritas pelas marca como esferas que se fundem umas às outras, formando trilhas que devem acompanhar o dia a dia de uma mulher em seus muitos momentos.
Esse perfume que se metamorfoseia para mim começa com uma explosão de pimenta rosa, nota que muito tem agradado nas criações mais modernas. Depois sua alma se abre com notas que para mim serão sobressalentes e se mostrarão até o fim do perfume: a mistura de baunilha, patchouli e fava tonka, bem ap gosto de perfumes como La vie est belle. Muitos pararão por ai e decidirão que Satine é um mais um oriental gourmand sem grandes diferenças. Porém é preciso sempre esperar o rodopiar da saia e em muitos momentos Satine se mostra polvosoro e sedoso como um próprio cetim, agraciado por sândalo bastante cremoso e muito heliotrópio, assim como em certos momentos somos por ele acalmados por um vetiver intenso, dando aquela sensação de “gelol”, agradavelmente mentolado mesmo que ainda persistam traços gourmands das notas de base. O resultado é um perfume gentil e muito durável.
Para a mesa redonda desse mês que  trata de perfumes metamorfoses ambulantes me veio rapidamente a cabeça esse perfume tão sedutor  e performático que conta com a delicadeza e boa durabilidade da Casa Lalique, com um dos frascos que considero dos mais bonitos da perfumaria.
Convido-os a conhecerem outros blogs de perfumaria que falam sobre o mesmo assunto e deixo de apoio um vídeo resenha sobre o perfume Lalique, de Satine.
Priscila Lini em Parfumee
Luciana em Floral e amadeirado




segunda-feira, 16 de março de 2015

Top 5 perfumes preferidos(Os meus perfumes mais bonitos)

TOP 5 PERFUMES PREFERIDOS

Na rodada do mês dos Blogs de Perfumaria tentamos pensar em perfumes bonitos para tempos difíceis. Para mim os preferidos acabam sendo os mais bonitos. Cada um dos que citarei aqui foram casos de amor  a primeira cheirada. Então fiz uma seleção de meus top 5 perfumes preferidos!
Não importa se eu mude ou o tempo passe , pois sempre serão amados. Um deles (Je Reviens de Worth) não vou falar agora pois ainda estou muito afetada com sua perda(Sumiu um meu de 100 ml e não estou conseguindo repor pois tenho pavor de importar e pagar taxas, mas ficar sem ele juro que dói demais).
Mas, enfim, os cinco que escolhi são meus perfumes casa, minhas moradas. Fazem parte de mim como minha língua materna. Por isso, considero-os os perfumes mais lindos do mundo, assim como nada pode ser mais belo aos meus olhos do que o mar de Fortaleza ou a poeira do meu sertão, Quixadá , de onde vim e agora sofro de saudades.
Então vamos lá ao meu TOP 5 PERFUMES PREFERIDOS

1) White Diamonds, Elizabeth Taylor


Meus perfumes preferidos:

Emblemático, atemporal, assim é o perfume White Diamonds, de Elizabeth Taylor.Um versátil de qualidade, para arrancar elogios diuturnamente.  Rastro delicioso e duração excelente.É o melhor floral aldeídico que já conheci. Ganhou um FiFi awards em 1992, um ano após seu lançamento por melhor fragrância popular.
Para mim tem valor de joia. Um cheiro diamantado.  O perfume white diamonds tem pretensão de eternidade. Enche as almas com seu cheiro orquestrado e penetrante. Clássico, elegante, limpo. Aldeídos muito gentis, macios. Flores brancas em sumos agradabilíssimos. Não é esnobe, é apenas bonito. Há quem  possa acha-lo  "Old lady" pela presença das flores brancas e do musgo. Mas esse musgo só o refina ainda mais, dá-lhe um toque de glamour.Um musgo de luxo.Amo sua pretensão de universalidade e eternidade.  White diamonds é um PERFUME cheio de matizes, riquezas e virtudes. Tudo tão bem mesclado e aquela amavel sensação cristalina...E ainda hoje é uma das fragrâncias que mais vendem no mundo. Uma pena ser tão difícil de acha-lo no Brasil!

2) Rive Gauche


Tive a imensa alegria de conseguir uma versão vintage dessa preciosidade que é o perfume Rive Gauche de Yves Saint Laurent que tanto amo(obrigada Simone!) Esse filho melhorado de Calandre,  criado em 1971, veio na onda metálica glitter modernosa vinda de figuras como David Bowie. É a mulher moderna parisiense representada: feliz, emancipada, coberta de prata, portando um azul caneta, um azul céu, um azul rio. Amo seus acordes metálicos, frios, seu absoluto de rosa, os acordes  hesperídeos  e sua abertura verde e fresca que me faz lembrar por vezes Ma Griffe para depois nos brindar com um corpo lenhoso e levemente musgoso para mostrar sua densidade. É um sabonete para Deusas, como insinuou Luca Turin ao aponta-lo como o sabonete que a Deusa Diana usaria. Sim, o sabonete  fino da Deusa modernosa e caçadora que a era a mulher setentista parisiense. É lindo, limpo e chique. Um primor de perfume que é Rive Gauche de YSL.

3) Chloé Narcisse




Meus narcisos românticos, reis da comoção e do entorpecimento. O perfume Narcisse de Chloé é meu perfume identidade. Derramado, um tanto melado. Um tanto romântico. Cheio de força e expressão. Tem por nota principal a flor do mito Narciso, que pende sobre si. Usa-lo exige certa vontade de aparecer, pois sua potência é exuberante. O resultado de suas tantas flores brancas e amarelas é aveludado e adamascado sobre a pele. É, de fato, uma experiência narcísica usa-lo. Seu acorde inicial é apessegado, com licor de abacaxi, esquentado por resinas, cravos doces e empoado pela violeta. O resultado é um oriental floral agudíssimo, uma cálida criação, com um quê do Spellbound e Tresor. Temos sua versão princesinha aqui no Brasil: o lindissimo Cecita, do Boticário, que muito me servirá já que o perfume Narcisse está descontinuado. Uma versão mais leve e menos doce dele.

4) Burberry London



Ele é um pouco como eu. Burberry London é um perfume para quem ama tradições, a segurança.É também um tanto como Londres: tão cinza mas ao mesmo tempo tão iluminada! Tão tradicional mas ao mesmo tempo tão moderna!  E amo sua alusão a chuva: Trench coat, galochas e a espera do sol.  O perfume Burberry London tem acordes clássicos, com sobriedade e temperança, mas de beleza indescritível. Uma linda funcionalidade e excelente duração e expansão de seu cheiro de flores brancas delicadas carregadas por acordes cítricos belíssimos(em especial aqui a clementina). Dominado pelo jasmim e madressilva há em certos momentos um jasmim manga(flor de tiare) bastante pungente. Há também uma rosa orvalhada, frescor do almíscar branco e da peônia.Perfeito e versátil. Ilumina quem o usa. Um cheiro encantador que sempre me remoça, mesmo que seja tão tradicional. Mas afinal, como não amar as tradições? Chá e chuva, um céu cinza. Amo esse cheiro durável e auspicioso.



5) Tabu



Ah,  Tabu de Dana!Esse amável perfume das cortesãs! Sim, das cortesãs, aquelas palacianas, tamanha a beleza de perfume. Como ele devia cheirar Madame de Pompadour, ou a Zinaida Zacienkin de Turguêniev. Tenho a sorte de ter exemplar vintage dessa pérola que é o perfume Tabu, mas me contento com sua versão atual, mesmo que menos animálica, quente e bafejada. Amo inspirações suas como Obsession, Youth Dew, Passion e Intimate, mas nenhum deles é Tabu, o perfume proibido, ferino como os olhos de Ava Gardner, que o amava.  A beleza dele é assim, felina. Na propaganda, um homem com um violino beija ardentemente uma dama trajada para o baile.
Sentir o perfume Tabu vintage, principalmente, traz-me essa sensação sensual e indescritível. O cheiro é um artifício de sedução, e a sedução é o artificio do mundo. Considero-o um cheiro caprichoso, que acompanha os contornos femininos, como se o corpo pois fosse todo odorífero. É feito para o pecado. É sobretudo animálico. Cheio de doçura de cravo, baunilha e bergamota, amparado por rosa búlgara, jasmim indólico e uma imensa profundidade musgosa e animálica. É um perfume quente e resinoso, bafejado, como disse. Um perfume de suspiros e hálitos.
E por isso é um dos perfumes mais bonitos que conheço. Para ele bem que podia ter sido dedicado La Traviata ou A dama das camélias.
Sua exuberância é sua virtude. Sua mundanidade é sua glória. Assim é Tabu de Dana perfumes.

Outras pessoas falam da beleza dos perfumes que as encantam nos blogs especializados em perfumaria do Brasil:

Floral e Amadeirado
Perfumes Big House
A louca dos perfumes
Le Monde est Beau
Odorata


Espero que tenham gostado do meu top 5 perfumes preferidos!

Fotos: fontes Google

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